Fontes de arquivos espanhóis para o estudo da história de Portugal: o exemplo da nobreza medieval. Balanço do seminário de Inés Calderón Medina

Inés Calderón (U. Ilhas Baleares) na sessão dos seminários FAEEHP, em 5 de fevereiro de 2020

Inés Calderón Medina, professora e investigadora na Universidade das Ilhas Baleares, apresentou ontem, na Universidade do Porto, um pouco do seu percurso de investigação em nobreza ibérica medieval por entre arquivos espanhóis e portugueses.

A primeira parte da sessão foi dedicada ao seu percurso académico, que se iniciou na Universidade de Valladolid (Espanha), onde se doutorou em 2009, tendo explicado como a sua investigação sobre a nobreza e a monarquia leonesas durante os reinados de Fernando II e Afonso IX (1157–1230) estimulou-a a entrar em contacto com a historiografia e fontes relevantes para a história portuguesa.

A segunda parte do seminário abordou o funcionamento do sistema estatal de arquivos espanhóis, com uma explicação sobre as instituições e sua orgânica e o seu potencial temático para a história de Portugal e dos portugueses para o período medieval.

O ponto de partida para os investigadores deverá ser o Portal de Arquivos Espanhóis (PARES), pelo seu potencial de pesquisa e por apresentar uma compreensão geral da organização dos arquivos.

A partir daqui, Inés Calderón elencou os principais arquivos e apresentou exemplos de fontes e de potenciais tópicos de pesquisa para os estudantes e investigadores. De entre os arquivos mencionados, destaque para o: Archivo General de Simancas (com maior interesse para os modernistas); Archivo Historico Nacional (bastante importante para os medievalistas); Archivo de la Corona de Aragón; Archivo de la Real Chancillería de Valladolid; Archivo de la Real Chancillería de Granada; Archivo General de Indias; Archivo General de la Administración; e também o Archivo Historico de la Nobleza.

Carta outorgada por Dinis, rei de Portugal, a favor do mosteiro de Santa Maria de Oia.
Archivo Histórico Nacional, CLERO-SECULAR_REGULAR,Car.1810, N.3

Para além dos arquivos centrais, Inés Calderón valorizou a importância de outras instituições regionais e locais (como os arquivos dos reinos de Valência ou de Maiorca), para o estudo da história portuguesa. Os arquivos privados de ordens monásticas (como, por exemplo, Sancti Spiritus de Toro, Santa Clara de Toro ou Huelgas de Valladolid) contêm documentação importante, mas nem todos são de acesso aberto, podendo existir obstáculos ao trabalho do investigador.

Inés Calderón (U. Ilhas Baleares) e Flávio Miranda (CITCEM, Universidade do Porto) durante o debate

O debate serviu para os estudantes e investigadores colocarem as suas questões e para comentarem a sessão, tendo-se discutido, por exemplo, as competências necessárias para se levar a cabo uma investigação em nobreza ibérica medieval, a receptividade dos funcionários e arquivistas em Espanha, ou as existências documentais de fontes árabes em arquivos espanhóis.

No decurso do debate, Inés Calderón colocou em destaque o trabalho minucioso levado a cabo por Luis Salazar y Castro (1658–1734), que reuniu uma coleção importante com inúmeros documentos originais e em cópia (textos medievais, escrituras, memoriais e cartas) e que é abundante em documentação útil para os estudiosos da genealogia, da heráldica e da nobreza. O catálogo da colecção, organizado por Baltasar Cuartero Huerta, pode ser consultado aqui.

A sessão de Inés Calderón contribuiu, largamente, para demonstrar a importância destes temas de nobreza ibérica medieval e para inspirar estudantes e os investigadores.

Seminário 2. Inés Calderón (Universidade das Ilhas Baleares) Más allá de la frontera. Archivos y fuentes para el estudio de la nobleza portuguesa medieval

Inés Calderón, Universidade das Ilhas Baleares, Espanha

Decorrerá, no dia 5 de fevereiro de 2020, às 14h30, na sala de reuniões da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, o segundo seminário de FAEEHP, que será conduzido por Inés Calderón, professora auxiliar e investigadora no GRESMED na Universidade das Ilhas Baleares, em Espanha.

É especialista em história social, com particular incidência no estudo da nobreza ibérica, e em cultura europeia medieval. Os seus trabalhos mais recentes incluem as publicações ‘La extensión de las redes de parentesco de la nobleza ibérica plenomedieval. Presentación del dossier,’ in Studia Zamorensia, 2018; ‘La movilidad nobiliaria en las fuentes medievales hispanas. Hagiografía, cantigas y genealogía. (siglos XII-XIV),’ in Reglero de la Fuente (Coord), Poderes, espacios y escrituras. Los reinos de Castilla y León (siglos XI-XV), 2018; e ‘El concubinato regio en la definición de la frontera galaico- portuguesa (ss. XII-XIII),’ in Arias Guillén, F; Martínez Sopena, P (eds). Los espacios del rey. Poder y territorio en las monarquías hispánicas (ss. XII-XIV), UPV, 2018.

A entrada é livre e os bolos, biscoitos e sumos para a pausa são por nossa conta, mas pedimos registem a vossa presença em https://forms.gle/ibdSeLjnsxvVJpXj9.

O Arquivo Apostólico do Vaticano e as suas fontes. Um balanço do seminário de Vítor Teixeira

Vítor Teixeira (Universidade Católica Portuguesa, Porto)

Vítor Teixeira, professor da Universidade Católica do Porto, trouxe ontem ao CITCEM um relato da sua experiência de investigador no Arquivo Apostólico do Vaticano. Ao fim de quase duas horas e meia de seminário, foi possível compreender os motivos que o levaram a procurar documentação para a história portuguesa em arquivos estrangeiros, quais os desafios enfrentados e o potencial das fontes do arquivo secreto.

Entre os maiores desafios colocados ao investigador, Vítor Teixeira destacou o facto de os índices e os catálogos serem, quase sempre, insuficientes para se desvendarem as fontes que se procuram. O fundo “Portogallo”, por exemplo, encontra-se estruturado em “Archivi delle Rappresentanze Pontificie: Lisbonna”, “Fondo Portoghese” (com o arquivo da embaixada de Portugal em Espanha); e “Segreteria di Stato”. Um fundo que contém documentação com data de criação sobretudo a partir do século XVIII. Por esse motivo, Vítor Teixeira avisou os investigadores de que deverão aceder a outras bibliotecas no Vaticano em Roma de forma a conseguirem ter acesso a fontes que possam ser essenciais para os seus estudos. Como exemplo, projetou a imagem do famoso Códice Casatenense, que se encontra na Biblioteca Casanatense.

Cena de um jantar em Ormuz, Códice Casanatense, 1540. Album di disegni, illustranti usi e costumi dei popoli d’Asia e d’Africa con brevi dichiarazioni in lingua portoghese Biblioteca Casanatense, Rome.

No seu caso da sua investigação doutoral, recordou a história de como, um dia, António Domingues de Sousa Costa (OFM) lhe entregou uma lista de documentos para consulta que acabou por constituir um pequeno “milagre” heurístico, que se tornou crucial para a sua tese.

Fundado por iniciativa do papa Paulo V (r. 1601-1621), o Arquivo Apostólico do Vaticano (nova designação desde 28 de outubro de 2019) contém cerca de 85 quilómetros de documentação, com 630 fundos documentais e 35 mil volumes. O índice de fontes encontra-se disponível em-linha no site do arquivo, e permite orientar o investigador nas suas pesquisas.

O seminário terminou com estudantes e investigadores a efetuarem perguntas sobre os fundos, a documentação e os métodos de acesso ao arquivo.

Seminário 1. Inscrições fechadas por ter sido atingida a lotação da sala

O registo para o seminário de Vítor Teixeira, “Fontes do Vaticano para o Estudo da História Portuguesa”, encontra-se encerrado por ter sido atingida a lotação da sala do CITCEM (Torre A, piso 0).

Obrigado a todos os que se inscreveram.

As próximas sessões dos seminários FAEEHP decorrerão na Sala de Reuniões 1, pelo que deveremos conseguir albergar uma assistência um pouco mais numerosa. Informações sobre o registo para o seminário 2 de Inés Calderón Medina, da Universidade das Ilhas Baleares, circularão no início de 2020. Estejam atentos ao nosso sítio web, ao e-mail dinâmico da FLUP e a outros canais de comunicação.

Seminário 1. Vítor Teixeira – Fontes do Vaticano para o Estudo da História Portuguesa

Vítor Teixeira, Universidade Católica Portuguesa, Porto

FLUP, 12 de dezembro de 2019, 14h30
Sala do CITCEM (Torre A, Piso 0)

Decorrerá, no dia 12 de dezembro de 2019, às 14h30, o primeiro seminário de FAEEHP, que será conduzido por Vítor Teixeira, docente na Universidade Católica Portuguesa, Porto, e na Universidade de São José, em Macau.

É especialista em história do império português, em história da cultura da expansão portuguesa, em iconografia e iconologia, assim como em estudos orientais. Publicou, entre outros, ‘O Património Industrial de Macau (Até 1999). Estudo das Fábricas de Panchões,’ in Revista de Cultura, Macau, IACM, International Edition, n. 50; ‘Soldados, Casados, Clérigos e “Gentios”… A sociedade no império luso-oriental segundo C. R. Boxer,’ in Revista de Cultura, Macau, IACM, International Edition, n. 47.

A entrada é livre, mas pedimos que registem a vossa presença no formulário disponível aqui.

Calendário de seminários para 2019-2020 já está disponível // Seminars calendar for 2019-2020 is now available

Iniciar-se-á em 12 de dezembro de 2019 o primeiro seminário de Fontes de Arquivos Estrangeiros para o Estudo da História de Portugal. O calendário para este ano letivo de 2019-2020 inclui quatro convidados de universidades portuguesas e estrangeiras, especialistas de diferentes áreas temáticas e cronologias.

O CITCEM irá acolher Vítor Teixeira da Universidade Católica Portuguesa (Porto), Inés Calderón Medina da Universidade das Ilhas Baleares (Espanha), Marília dos Santos Lopes da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa) e Wendy R. Childs da Universidade de Leeds (Reino Unido).